| Quando menino sonhava me tornar um caminhoneiro, mas tudo bem o sonho estava relacionado ao momento que eu vivia. Carregando cestas ou vigiando carros eu estava a observar a rotina dos caminhoneiros que trabalhavam no transporte das mercadorias, trabalho digno que me fazia sonhar apesar das poucas perspectivas que eu tinha porque tudo não passava de um sonho. Pois se Deus escreve certo por linha tortas, foi nestas linhas tortas que minha história foi acontecendo. Como um gesto desta escrita de Deus um grupo de Educadores da Pastoral Menor estava a me acompanhar. Lá mesmo na Ceasa onde se fazia algumas atividades e servia gostoso lanche. Eu meus irmãos e alguns amigos com idade entre 10 e 13 anos madrugávamos na porta da Ceasa não poderíamos perder aquele lanche. Se pelo lanche ou para me livrar da dura rotina de carregar cestas, até mais pesada do que meu corpo, ou do não de algumas pessoas que chegavam até a exibir um revólver e dizer que o vigia dos seus automóveis eram as suas armas o certo que, eu sabia que aquilo não ia durar para sempre, pois ia chegar o dia que eu ia ser caminhoneiro. Não me tornei caminhoneiro, pois não larguei do “pé” daqueles educadores, que um dia acharam que o serviço tinha que se estendido até a comunidade e assim foi feito. Não me tornei caminhoneiro, mas aprendi a fazer o caminhão, claro de brinquedo. Eu e o grupo crianças apoiado pela Pastoral do Menor começávamos a abandonar o trabalho infantil da Ceasa e passamos a ganhar nosso dinheiro da venda dos brinquedos. Mas o que isso tem haver com a comunicação? Não sei como, mas não levava jeito para comunicação fui convidado a produzir e apresentar um programa de rádio, o nome do “Programa querendo ser gente” como o meu estudo era atrasado o nome do programa tinha tudo haver com o que as pessoas pensavam de mim, pois sempre diziam “menino vai crescer pra tu ser gente” e assim por um longo tempo seguimos com o programa, depois outro programa “Ás crianças do Brasil” e por aí foram várias ações foram acontecendo relacionada à comunicação, até chegar a uma das áreas que mais gosto, a Fotografia que me fez desistir de ser um caminhoneiro e me tornar um Jornalista. Para encerrar um capitulo desta história, como jornalista espero não sair das linhas tortas que foram escritas por Deus. Quero que minha profissão possa me ajudar a contribuir para melhorar o mundo e que não alimente o discurso de muitos setores da mídia que multiplicam a violência à custa de audiência ou pelo puro glamour do Jornalismo para destruir a vida e dignidade de muitos, mas que a minha vida e minha profissão possa contribuir para ajudar as pessoas que necessitam de ajuda, como precisei e aqui estou. Agradeço a Deus e a todos que me ajudaram a trilhar as linhas tortas, que foram possíveis para me colocar perto das pessoas boas. Renato Bezerra / Concludente do Curso de Comunicação Social/Jornalismo da Faculdade Santo Agostinho.
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