| Com o crescimento do índice de suicídio no Piauí, sobretudo entre jovens, as religiões têm tomado medidas para barrar ou, ao menos, contribuir para a diminuição dos casos. Entre os espíritas a realização de palestras sobre o tema para esclarecer acerca das pesadas conseqüências do ato para o espírito é uma constante. A coordenadora de comunicação da Federação Espírita do Piauí, Edite Malaquias, fala que há, inclusive, um projeto em nível nacional de valorização da vida. Já a igreja católica instituiu a Comissão de Defesa e Promoção da Vida, que está sendo implantadas nas 56 paróquias ligadas a Arquidiocese de Teresina, que engloba também paróquias de cidades próximas a Teresina. “O objetivo é criar uma consciência sobre o valor da vida entre os cristãos, destacando os valores éticos e morais em relação à vida”, ressalta Jaílton Ferreira, coordenador da Comissão Arquidiocesana de Defesa e Promoção da Vida. Ele acrescenta que a idéia surgiu de um seminário em que o arcebispo de Teresina, Dom Celso José, participou em 2005 e que a comissão vem sendo implantada aos poucos e deve já estar presente em 15 das 56 paróquias. “Inclui a defesa da vida não apenas considerando o suicídio, mas o aborto, a eutanásia, maus tratos aos idosos, dentre outros. Entretanto há sim essa preocupação com o aumento do suicídio entre os jovens em nossa sociedade”, frisa. “Até o ano passado, o município de Aroases, a 219 km de Teresina, estava entre as cidades com maior índice do problema. Então temos que trabalhar com a prevenção, pois não há outra forma. O trabalho de valorização da vida nas paróquias é feito por meio de palestras, seminários e encontro de grupo de jovens, alvo principal dessa mobilização”, observa Jaílton Ferreira. O padre Lauro de Deus comenta que é um mito o fato de que a Igreja Católica não celebra missa de sétimo dia para a alma de suicidas. “Não sei de onde as pessoas tiraram isso. A Igreja reza por qualquer pessoa, pois prega a misericórdia. O fato de ser contra o suicídio não quer dizer que não rezemos por essas almas”, frisa. “Agora, é claro que não concordamos com essa ‘liberdade’ de quem se mata. Escolher pela morte não é liberdade, pois esta sempre busca o bem e suicídio não é o bem”, acrescenta Lauro de Deus. Espiritismo – Na visão dos espíritas kardecistas, o suicida fere um mandamento básico, que é o do ‘não matarás’. “O suicídio é um dos maiores erros que a pessoa pode cometer sobre si mesmo, pois não temos o direito de tirar a vida. Só Deus pode fazê-lo, pois é ele quem concede a vida”, fala Edite Malaquias. “Os suicidas acreditam que a morte física é o fim de tudo e que vão descansar, mas pelo contrário, o sofrimento é dobrado. Esses espíritos vão para o vale dos suicidas e sofrem muito porque violaram as leis divinas. Eles abreviaram seu tempo na terra e quando reencarnarem trarão seqüelas desse ato impensado e também sofrerão no plano espiritual. O vale é um lugar de energia de baixa vibração, onde a consciência martelará o problema”, explica Edite. A espírita comenta que o suicídio não deve ser pensado nunca como meio para a solução de problemas, pois é um grande gerador de sofrimento pra quem comete e para a família. “Os suicidas são egoístas e covardes por não enfrentarem suas dificuldades”. Na visão de Malaquias entre as causas do suicídio estão o orgullho, o materialismo, a loucura e a covardia moral. “Em suma, é a falta de Deus na vida das pessoas, o esfacelamento das famílias e a falta de diálogo entre pais e filhos”. Ela encerra dizendo que os espíritos atormentados devem pedir ajuda. “Jesus disse: ‘nenhuma ovelha do meu Pai se perderá’, por isso deve-se pedir ajuda. Nós não estamos sós, somos acompanhados de mentores, além disso, temos nossos amigos e familiares”.
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